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Caminho de Santiago da Geira e dos Arrieiros

Dia 1

21 de Abril de 2024


Parto hoje para mais uma emocionante jornada rumo a Santiago fazendo o caminho Geira e dos Arrieiros. Desta vez, decidi enfrentar a aventura sozinho. Enquanto escrevo estas palavras, estou a bordo do comboio em direção a Braga, ponto de partida desta caminhada única. Ontem, adquiri a minha credencial de peregrino, preparando-me para os desafios e as descobertas que me esperam ao longo deste percurso histórico. Este é o início de uma viagem de autodescoberta e reflexão, onde cada passo será uma experiência enriquecedora.



 

Dia 2

22 de Abril de 2024


Hoje tive a oportunidade de visitar Braga, cidade conhecida em tempos como a cidade dos "3 Ps".



Cheguei à cidade vindo do Porto de comboio, numa viagem que me fez sentir como se estivesse num filme suburbano, com paragens de campo e dormitórios ao longo do percurso.


Ao chegar ao Collector's Home, onde reservei alojamento, deparei-me com um processo de check-in automatizado, sem ninguém para me receber pessoalmente. Depois de algumas peripécias, acabei por ser alojado num quarto que parecia saído da história de Robinson Crusoé, com um ar condicionado que parecia ter visto melhores dias.


Após uma mudança de quarto, encontrei-me num ambiente que me fazia lembrar a Alice no País das Maravilhas, com um quarto acolhedor e uma vista deslumbrante sobre Braga.


Decidi então explorar o início do Caminho de Santiago, junto à Sé de Braga, imbuído do espírito de aventura e peregrinação.


Para terminar o dia em grande estilo, jantei no Trota's, um local que se revelou uma excelente escolha gastronómica.


Agora, de regresso ao Collector's Home, estou pronto para partilhar as minhas experiências do dia e preparar-me para o início da minha jornada pelo Caminho de Santiago. Braga mostrou-se uma cidade encantadora, repleta de história e tradição...

Aqui vão algumas fotos




 

Dia 3

23 de Abril de 2024


Hoje percorri a etapa de Braga até Caldelas, num total de 19km. Comecei com dificuldades em encontrar o caminho em Braga, pois há poucas indicações na cidade, como se a cidade dos arcebispos não quisesse receber peregrinos.


A etapa foi bastante desafiante devido à necessidade de caminhar ao longo da estrada, sem passeios.


Só encontrei a primeira indicação do Caminho da Geira e dos Arrieiros junto ao Mosteiro de Rendufe, mas infelizmente, mais uma igreja fechada no meu percurso.



Ao me aproximar de Caldelas, perdi-me ao seguir uma seta para outro caminho, mas percebi a tempo graças ao GPS no telemóvel. Ainda bem que me perdi, pois tive a oportunidade de caminhar junto ao rio, uma experiência encantadora que me ajudou a manter-me flexível.


Em Caldelas encontrei finalmente uma igreja aberta.



Ao chegar ao albergue não havia ninguém a não ser as senhoras da limpeza, que me deram a chave, para eu poder sair quando quisesse.

Almocei no café Avenida e já de volta ao albergue conheci os outros 2 peregrinos que vão ficar cá.

Amanhã às 7h nova etapa!



 

Dia 4

24 de Abril de 2024


Etapa Santiago Caldelas - Campo do Gerês 29,5 km


Hoje, dia 24 de abril, vivi uma etapa verdadeiramente marcante e intensa na minha jornada. Partimos de Caldelas às 7h30 e só chegamos ao destino por volta das 16h. Éramos apenas três: um psicólogo, um reformado e um freire capuchinho. Ao chegarmos a Covide, um pouco antes do fim da etapa, separar-mo-nos, a fome apoderou-se de mim e decidi procurar um restaurante. Enquanto me aproximava de um café, um carro surgiu e perguntei onde poderia encontrar um restaurante num raio de 500 metros. O jovem professor prontamente se ofereceu para me levar até lá, apresentando-me o Restaurante Turismo. Acabei por almoçar lá, onde a dona Maria da Glória foi extremamente simpática. Conversámos sobre filhos - ela tinha três, um rapaz mais velho em Angola e duas raparigas, uma delas a estudar psicologia. Acabei por lhe dar o meu contacto para poder ajudar a filha, esclarecer dúvidas sobre a área a especialidade a escolher na universidade. Ao sair do restaurante, encontrei um casal de ciclistas que me informou que os meus companheiros de viagem andavam á minha procura.

Caminhei então até à Pousada da Juventude de Campos Gerês, final da etapa.


No caminho um carro passou por mim e parou mais á frente, dando a volta na estrada, parando depois perto de mim, Armando, perguntou-me se eu era peregrino.

Começámos a falar sobre a etapa e de todo caminho, mas acerta altura ele diz que tinha acabado de vir do psiquiatra.


Eu perguntei se ele tinha tido um burnout, a resposta foi positiva, a conversa foi parar ás minhas consultas de psicologia. Acabámos a trocar contactos😉


Ao chegar á pousada apercebi-me que tinha marcado a estadia para o dia anterior. Felizmente, foram bastante compreensivos e trocaram a data. À noite, jantámos num restaurante muito agradável, o Chamadouro, com comida fantástica e a preços acessíveis. Valeu mesmo a pena a visita!





 

Dia 5

25 de Abril de 2024


25 de abril dia da liberdade!


Etapa Campo do Gerês - Lóbios 24,5 km


O Frei José voltou para o Porto, e eu só Joaquim caminhámos até Lobios, onde fiquei no Hotel Lusitan.

No meio do caminho encontrámos uma família de alentejanos que nos ofereceu o almoço. Umas belas de umas bifanas bem saborosas.

Depois de termos almoçado, acabamos por encontrar um jovem casal, com o qual tivemos uma bela conversa.

Joaquim como um verdadeiro peregrino dormiu numa paragem de autocarro abandonada por detrás de um pavilhão gímnico.

Á saída do quarto encontrei o grupo com o qual fiz grande parte do resto do caminho.

Começámos a falar e eu disse que algumas das etapas estavam mal sinalizadas. Foi nessa altura propus dar-o GPX de todo o caminho. Só precisavam de ter a aplicação GPX Viewer.

Depois da partilha fomos a jantar juntos onde nos ficámos a conhecer melhor. Trocámos contactos, para o caso de nos acontecer algo.


No dia a seguir já tinha combinado que iria caminhar com o Joaquim, por isso não combinei nada com este grupo.





 

Dia 6

26 de Abril de 2024


Lóbios - Castro Laboreiro 21 km


Saí de Lóbios sozinho, pois eu e o Joaquim desencontramo-nos. Houve mudança de hora, pois tínhamos voltado à Espanha, e quando saí do hotel ele já tinha partido.

Foi uma experiência muito intensa fazer esta parte do caminho inteiramente sozinho; as paisagens eram deslumbrantes, com tons violeta, sem se ver casas, pessoas, apenas natureza pura, e sentirmo-nos tão pequenos.

 

Acabei por reencontrar o Joaquim mais tarde, na subida de cerca de 2 km para Castro Laboreiro.

Quando cheguei cá a cima ele tinha desaparecido. Soube depois que foi logo para o seu alojamento.


Cheguei ao hotel e tinha reservado o único quarto disponível que tinha 3 camas e com uma vista brutal para a montanha e para o caminho que tinha acabado de subir.


Aconselho o hotel Miracastro, gente muito simpática e disponível e o hotel muito bem situado.

Terminei o dia jantando com o grupo dos 6, num restaurante que ninguém espera encontrar num lugar como este, uma sala ampla, com uma bela vista para a montanha. Até tinha um robô...


Vistas deslumbrantes todo o caminho e sempre sozinho, um belo desafio mental e físico.

Admiro os peregrinos como o Joaquim que fazem este caminho sozinhos!





 

Dia 7

27 de Abril de 2024


Castro Laboreiro - Cortegada 29,2km


Saí com o Joaquim e, pouco tempo depois, passámos junto ao albergue que já foi inaugurado duas vezes, mas que nunca abriu.


Logo a seguir, encontrámos dois belos cães que nos receberam a ladrar, mas pouco depois estavam a pedir festas enquanto falávamos com os donos.


A etapa a partir daqui tornou-se bem mais dura e, se já estava frio, juntou-se a chuva e, a seguir, a neve.

Eu decidi acelerar o passo e deixei o Joaquim para trás.


Foi nessa altura que devo não ter visto uma seta, o que me fez caminhar mais tempo num caminho romano que mais parecia um ribeiro. Acabei por descobrir que tinha descido demasiado. 😞 Acabei por ter que subir por uma estrada até alcançar o caminho novamente, onde encontrei o Joaquim.

Falámos um pouco, mas eu não conseguia seguir o ritmo que era muito lento, mas muito certo.


Esperei pelo Joaquim no primeiro café ☕, que encontrámos e comemos uma tortilha.


Foi nessa altura que o grupo dos seis apareceu no café, e eu acabei por continuar o caminho com eles.


Eles têm um ritmo bem intenso e uma forma de estar fantástica. Acolheram-me como se fosse um deles.


Chegámos a Cortegada ao final do dia, bebemos umas cervejas e fomos tomar banho.


Acabámos por jantar juntos, para nos prepararmos para o dia seguinte.





 

Dia 8

28 de Abril de 2024


Cortegada - Pazos de Arenteiro 33 km


Nesta etapa, já partilhei o caminho com os seis magníficos. Foi mais um trecho intenso, marcado por paisagens deslumbrantes e uma sucessão de subidas e descidas. Terminei o dia em Arenteiro, hospedando-me numa pensão com boa aparência, porém, em estado de degradação. Foi o local mais dispendioso em que me hospedei, visto não haver alternativa nas redondezas.

 

Trata-se de um recanto situado nas profundezas da serra, onde apenas há um café e só está disponível para jantares mediante reserva prévia. Embora encantador, o lugar parece suspenso no tempo, à semelhança de tantos outros que percorri. No trajeto, fizemos uma paragem em Ribadavia para recarregar energias, um local que merece uma exploração mais minuciosa.

 

Posteriormente, desfrutamos de um almoço no restaurante que, para mim, foi o melhor de toda a jornada: o Restaurante o Trote (Calle "O Casar" N°5/B, 32425 Berán, Província de Ourense, Espanha). Dei a conhecer aos meus amigos o licor de café, que apreciaram bastante. Foi difícil despedirmo-nos dali...

 

Continuamos em direção a Arenteiro, onde nos deparámos com o ateliê de um artista e, em seguida, uma aldeia abandonada. Lugares singulares... Ao chegarmos à minha pensão, desfrutamos de uma cerveja antes de eles prosseguirem mais 5km, rumo à sua hospedagem, situada numa zona mais elevada.





 

Dia 9

29 de Abril de 2024


Pazos de Arenteiro - Soutelo de Montes  30,5 km


Em Pazos de Arenteiro, iniciei a subida completamente sozinho, pois os outros 6 ficaram num alojamento fantástico, longe de mim. Estava muito frio e húmido pela manhã, mas desfrutei de uma bela vista durante todo o percurso. O vale estava cheio de nevoeiro, sem se ver viva alma.


Quando cheguei a Feás, pensei que poderia beber um café e comer alguma coisa, já que o pequeno-almoço a que tive direito no alojamento desta noite foi uma fatia de bolo, um café num termo e um pedaço de pão de há 2 dias... Mas não tive sorte, o café estava fechado. Havia um recado na porta, para tocarmos na casa em frente que nos serviriam um café. No entanto, resolvi continuar.


Quando já estava bem acima de Feás, os meus companheiros ligaram a dizer que estavam a chegar à aldeia. Esperei por eles.


A meio do caminho, em Beatriz, encontrámos uma das figuras do CGA, José Balboa. Desfrutámos de algumas tapas e visitámos o albergue criado por Balboa, um albergue que vive de donativos (tem 6 lugares).


Continuámos o caminho até Soutelo. Assim que chegámos a Soutelo, fomos beber umas cervejas e depois dirigimo-nos para o hotel.


Saímos para jantar umas pizzas e depois descansámos.






 

Dia 10

30 de Abril de 2024


Soutelo de Montes - A Estrada 33,5 km


Saímos cedo numa etapa sempre a rolar.

Parámos para comer umas tapas de presunto e beber umas cervejas.

Pusemo-nos a caminho de Estrada.

Almoçámos em Codeseda.

Seguimos até A Estrada. Fomos à Pensión La Bombilla tomar banho e saímos à procura do restaurante e, antes, fomos beber umas cervejas.

Nessa noite estava frio e voltámos para a pensão.






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